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Espaço Cultural CITA - Rua Aroldo de Azevedo, 20

Maracatu Ouro

Do Congo

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O nome Ouro do Congo é uma referência à Coroação dos Reis do Congo, oriunda da África, que passa a ser realizada em território brasileiro pelos negros escravizados, com conotação política, social, cultural e espiritual. No estado de Pernambuco, esta prática marca o surgimento do Maracatu de Baque Virado, como uma manifestação de culto e louvação aos ancestrais, associada aos terreiros de candomblé Nagô, os Xangôs de Recife.

Somos filhos da Nação do Maracatu Porto Rico, nascemos dela, e seguimos essa referência de baque, de culto, de visão de mundo. Trazemos o compromisso com essa tradição, respeitando aqueles que vieram antes.

O Maracatu Ouro do Congo é um grupo que pesquisa, pratica e vive a cultura do maracatu de baque virado, sendo o único na cidade de São Paulo que trabalha exclusivamente com a linguagem da Nação do Maracatu Porto Rico, situada no bairro do Pina, na cidade do Recife - PE.

O grupo surgiu em 2010, na zona sul de São Paulo. Em julho deste ano, André Jota, Roberta Marangoni (já integrantes da Nação Porto Rico) e André de Jesus Antônio, organizaram uma oficina de maracatu com o Ogã Deivson Santana, batuqueiro da Nação Porto Rico, realizada no Jardim Ângela, tendo como público educadores da região. Após a oficina, contagiados pelo ritmo do Baque das Ondas (como é conhecido o baque da Nação Porto Rico), o grupo de educadores manifestou uma enorme vontade de aprender a construir seus próprios tambores. Assim o grupo se reuniu e começou a construir 9 alfaias (tambores).

Foram 8 longos meses de encontros semanais nas casas de integrantes, residentes no Jd. Lídia e Vila Remo, sob a orientação de André Jota. Este processo teve um grande significado para a formação do grupo, com intensa troca de conhecimentos em diversos níveis (afetivo, familiar, cultural e espiritual). Ao construir essas alfaias, se construía o Maracatu Ouro do Congo, que ao final deste período já tinha sua identidade, seus elementos, nome, cores e símbolos.

Neste momento foi fundamental o encontro com o Mestre Chacon Vianna, da Nação do Maracatu Porto Rico, em agosto de 2010, principal incentivador para a criação do grupo, quando o grupo preferiu realizar um bate-papo ao invés de uma oficina percussiva, por acreditar que naquela circunstância seria mais importante conhecer a história e as peculiaridades que envolvem esta manifestação. Também participaram deste momento a Mestra Joana Cavalcante, da Nação do Maracatu Encanto do Pina, primeira mulher a estar a frente de uma Nação de Maracatu como Mestra, e Rumenigue Dantas, Ogã de Obaluaiê, também da Nação Porto Rico. Nesta ocasião, ficou ainda mais claro e forte o significado do nome do grupo, nas palavras do Mestre Chacon, que trouxe o entendimento que o ouro do congo não é o tal metal precioso, nem o maracatu em si. É sim a sabedoria dos pretos velhos, que tanto lutaram e resistiram, deixando tão grande legado cultural e espiritual, que nos permite ainda hoje cantar, louvar e conhecer nossas raízes.

Seguiu-se assim a pesquisa e o aprofundamento dos significados vividos dentro do maracatu, e se fortaleceu o entendimento do grupo. Na sua jornada espiritual, se confirmou como Orixá patrono do grupo Obaluaiê, o que trouxe ainda mais firmeza e amor aos tambores do Ouro do Congo.

Em abril de 2011, o grupo já havia tomado corpo, e então passou a realizar ensaios abertos, aos sábados, na E. E. Profª. Zenaide Avelino Maia, no Jardim São Luís. Esta etapa foi, para a maioria dos integrantes, o primeiro contato com esta prática percussiva, e, ao mesmo tempo, marcou o momento que o grupo se abriu para receber novas pessoas. Ao longo deste ano o grupo realizou os ensaios, oficinas e vivências com batuqueiros de Recife e recebeu diversas visitas de parceiros que são responsáveis por outros grupos de maracatu. No final de 2011 o grupo passou a atuar na região do Campo Limpo, no Espaço CITA, onde está até hoje.

No início de 2012 foi marcante a participação dos integrantes do grupo na Mostra de Arte 7º Cortejo Quiloa, realizada pelo Maracatu Quiloa, de Santos, onde além de integrarem a percussão, também atuaram na confecção de roupas e adereços da Corte, a partir da experiência de Roberta Marangoni no Carnaval do Recife. Em maio do mesmo ano o grupo fez sua primeira apresentação, no bairro do Campo Limpo, na Revirada Cultural da Resistência, e passou aos poucos a mostrar sua cara e sair às ruas.

Desde então foram realizadas diversas apresentações, oficinas e vivências, principalmente na Zona Sul da cidade. No primeiro semestre de 2014, o grupo foi convidado a participar do 2º Encontro de Cultura Popular da Fábrica de Cultura do Jd. São Luis, esta ação possibilitou a troca entre diversos grupos que atuam na região com as mais variadas manifestações populares, como o jongo e coco de roda. Este momento foi muito especial para todos os integrantes do grupo, pois foi a primeira apresentação do grupo com figurino. Em 2105 o I Circuito de Artes do Espaço Cultural CITA homenageou o grupo pelos seus 5 anos de existência e resistência dentro da periferia da Zona Sul de São Paulo. No ano de 2016 o grupo participou do Circuito Municipal de Cultural realizando três apresentações nos seguintes locais Centro Cultural Jabaquara, Biblioteca Vicente Paulo Guimarães e Casa de Cultura Salvador Ligabue. Em 2017 o grupo celebrou sete anos de vida e resistência e para comemorar realizou o I Xaxará Congo em Festa louvando os Pretos Velhos e nossos ancestrais.

 

Entendemos que a base do trabalho com as manifestações tradicionais é o respeito, por isso a prática deste coletivo prioriza o entendimento do que acontece nas Nações, enquanto fonte material e espiritual. A partir desta visão, nos parece mais adequado executar e se aprofundar em uma linguagem única, que tem peculiaridades e características muito específicas, sobretudo, das Nações à qual fazemos parte.

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