ENTREVISTA: Estela Lapponi

Salve Citianos e Citianas!


Amanhã, 1º de Abril, receberemos nossa primeira apresentação do projeto Acess'art. Um projeto onde nós, do Espaço CITA, estamos preparando para receber artistas e o público PCD, e desenrolando uma série de formações e reformas no espaço para que possamos cada vez mais ser um espaço além de plural, também acessível a todes.

Hoje trazemos para vocês 07 perguntas que fizemos em uma entrevista com a nossa convidada de Amanhã, a Estela Lapponi. A Estela vai apresentar sua performance "Lá Asimetría Es Más Rica", às 20h desse dia 1º de Abril.


Conheçam um pouco mais nossa convidada, e não se esqueçam de reservar seu lugar nesta apresentação (devido a pandemia estamos com capacidade reduzida das salas, por isso, faça sua reserva para garantir seu lugar).




 

Entrevista

Estela Lapponi


Espaço CITA: Queremos saber um pouco sobre o seu início na arte. Conta pra gente quando e quais motivos te levaram a se tornar uma performer e videoartista.

Estela: Eu comecei no teatro da escola em 1990 e de certa forma já sabia que queria fazer "isso"na vida, embora parecesse algo impossível. Estudei no Teatro Escola Macunaíma de 1994 - 1996 e fiz parte de vários grupos de teatro. Comecei a trabalhar durante a escola de teatro mesmo.

O vídeo surgiu em um momento em que o teatro não me dizia mais nada, 2004 por perceber que nele meu corpo DEF precisava ser escondido ou camuflado de certa forma. A performance veio a partir de 2012, qd começo a me dar conta do meu fazer artístico estar diretamente relacionado com Vida e Arte. Espaço CITA: Sua arte tem como foco de investigação o discurso do corpo com deficiência, a prática performativa e relacional (público) e o trânsito entre as linguagens visuais e cênicas. A nossa dúvida é, você encontra dificuldades para fechar suas apresentações nos mais diversos espaços culturais existentes? Ou só lembram da Estela em épocas e contextos específicos (Com pautas sobre e/ou para o público PCD)?


Estela: Eu escrevi o Manifesto Anti-inclusão em 2011 justamente por perceber que meu trabalho não se encaixava em lugar algum. Eu era muito DEF pros bípedes e pouco DEF pros DEFs. As dificuldades foram inúmeras, ficava muito tempo sem apresentar nada ou conseguir vender minhas performances. Hoje está mudando essa situação. Algumas instituições estão começando a entender que se querem "incluir"como eles dizem, precisam considerar nossos corpos na programação regular e não somente nas datas festivas da deficiência. Em cada linguagem a luta é diferente. No cinema, por exemplo a luta é a curadoria entender que o filme que o cineasta DEF realiza pode estar num sessão, que não seja só sobre/para/com DEF. Espaço CITA: Nessa nossa caminhada de aprendizado sobre os artistas e público PCD, já notamos que alguns artistas não querem, ou evitam falar ou carregar em sua arte o tema da sua deficiência. Muitos querem falar sobre outros temas sem que sua deficiência seja protagonista no espetáculo. No entanto, por meio de algumas conversas, já percebemos que esses mesmos artistas só conseguem contratos quando justamente o que se é explorado é a deficiência, o colocando num lugar de superação. O que você poderia nos falar sobre isso, e o que espaços culturais precisam entender sobre contratar pessoas com deficiência?


Estela: acho que meio respondi na pergunto de cima. Mas, o fato é que nós DEFs somos um corpo DEF e isso estará presente na cena, não tem como tirar, né? O problema também está na limitada visão do espectador, por exemplo, quem nunca viu um DEF em cena, pode ficar tão emocionado que não vai conseguir ler outra coisa se não a Deficiência de artiste ... Espaço CITA: Você viveu na Itália por um tempo, e essa informação nos trouxe a dúvida de como será que é a "cena" de artistas PCD's por lá. Você conseguiu se apresentar na Itália, ou conseguiu assistir outres artistas PCD's por lá?


Estela: Não conheci nenhum artista DEF lá. Eu morei numa cidade de 40 mil habitantes, pequena. Eu não consegui me entrosar com ninguém lá, por isso que nasceu o Corpo Intruso rsrsrsrs Espaço CITA: Você idealizou o espaço cultural Casa de Zuleika. Conta para a gente sobre o espaço, quais ações rolam, como funciona para se apresentar ou assistir algo por lá, e o que 2022 reserva para a Casa de Zuleika.


Estela: Eu fui experimentando diversos formatos na Casa de Zuleika, que é minha própria casa. Fiz eventos com diversos artistes ao mesmo tempo, residência artística, ocupação de experimnentação, workshops, apresentação de performances, set de filmagem de cinema, série, programa de youtube ... uma infinidade de coisas. Hoje, a casa é meu suporte, meu lugar de criação ... não creio que irei abrir de novo a CASA pra receber apresentações e público. Espaço CITA: Agora, falando sobre a sua apresentação de amanhã, o que o público pode esperar da performance "La Asimetría Es Mas Rica"?


Estela: Acho difícil responder essa pergunta rsrsrsrs talvez o público fique confuso, talvez fique esperando que algo ainda vai acontecer ... talvez a frase ¡La Asimetría es más rica! fique ressoando em sua cabeça, sem mesmo ele entender exatamente o que isso quer dizer ... talvez o público fique com um nó na cabeça ... Mas, o que realmente desejo é que ele se divirta com a repetição e se entregue pra se relacionar. Espaço CITA: Agradecemos muito sua participação no nosso proejeto Acess'art, fomentado pelo Edital Proac Expresso Lei Aldir Blanc Nº51/2021, como orientadora na nossa semana de formação e como artista na sua performance que fará amanhã aqui no nosso espaço. Fica esse espaço para trazer algo mais que queira falar com nosso público, e já nos despedimos por aqui, ansioses pela sua apresentação amanhã, às 20h, aqui no Espaço CITA.

Espaço CITA: Eu que agradeço a vocês pela receptividade do Corpo Intruso, pela oportunidade de estar junto de vocês e à Dê (Desiree) que me indicou pra vocês . Gostaria de convidar que assistam ao curta profanAÇÃO e se inscrevam no canal da Casa de Zuleika, pois isso ajuda a difusão dos trabalhos na rede. Aqui o link do curta - https://youtu.be/5XP-ZZpmPGc



 

Serviço:

Performance "Lá Asimetría Es Más Rica"

Com Estela Lapponi

Dia 01 de Abril, 20h

Sala Preta





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